quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Comprar roupas, um desafio


Para onde quer que se olhe, ela está sempre lá. A duplinha bata e legging veste adolescentes falantes, moçoilas vistosas e senhoras alegres. Está em escritórios, vitrines e corredores de supermercados. É disputada em saldões no Brás e em lojas de shopping.

Em meio a essa febre capinha-de-botijão- com-calça-de-balé, comprar roupas virou uma tarefa árdua. Nunca fui muito fã de compras, é verdade, mas agora esta atividade está ainda mais desgastante. Mesmo que não sejam, exatamente, batas com legging, quase todas as peças que encontro seguem cortes parecidos. São blusas compridas e esvoaçantes com calças agarradas. Para piorar, muitas delas têm estampas de cortina dos anos 70.

Eu bem que tentei renovar o meu guarda-roupa repleto de peças gastas de 2000 e 2001, mas achei melhor esperar esse furor com batas e túnicas passar. Foi assim com os vestidos trapézio e tamancos holandeses nos anos 90. Um dia, a moda felizmente passou e todo mundo escondeu as fotos daqueles tempos no fundo da gaveta. Daqui a pouco, todo mundo vai se desfazer das capinhas-de-botijão e correr para comprar a próxima porcaria que aparecer.

Eu não quero muita coisa. Só gostaria de ter a chance de escolher algo razoável para mim entre uma febre e outra. É pedir muito?

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Impressões, notas e textos interessantes

Há dias que quero contar/publicar algumas coisas.

Impressão número 1

Por que a gente sempre encontra brasileiro babaca quando viaja ao exterior?

Manhã de 28 de outubro. Entramos no elevador do hotel em Santiago e damos de cara com um casal de brasileiros.
- De onde vocês são? - pergunto.
- Ai, vocês são brasileiros! – exclama a moça. Graças a Deus, não agüento mais esse negócio de ouvir gracias, gracias!

Ficamos nos perguntando o que, diabos, aquela criatura estava fazendo no Chile?

Impressão número 2

Ao ler a notícia abaixo que saiu no Publimetro, finalmente entendi por que, um dia, me perguntaram se a Bolívia ficava perto do Japão.

77% dos brasileiros não acham São Paulo no mapa
Só 23% dos brasileiros conseguem localizar o Estado de São Paulo
dentro do mapa do país, revela levantamento da empresa de pesquisas
Ipsos com mil pessoas. E metade da população é incapaz de apontar o Brasil em um mapa-múndi – 5% apontam Argentina, República Democrática do Congo ou Chade como se fossem o país onde vivem.


Não, não estou surpresa. Apenas arrasada com o nível de educação no Brasil. Principalmente agora que voltei do Chile.

Nota número 1 – sobre carne vermelha

No dia 15 de outubro, no Blog Action Day, mencionei os malefícios da carne vermelha. Curiosamente, dias depois, recebi um e-mail de uma amiga que mora na França e é especialista em assuntos ambientais. Vejam só o que dizia a mensagem dela.

  • No Brasil, em média, um quilo de carne bovina é responsável por 10 mil
    metros quadrados de floresta desmatada.

  • Os 75 milhões de hectares já transformados em pasto, só na Amazônia, representam uma área 50% superior a toda área agrícola do Brasil

  • Uma fazenda com 5 mil bovinos produz a mesma quantidade de excrementos de uma cidade com 50 mil habitantes, com a diferença de que, nas cidades, o esgoto é minimamente tratado. Nas fazendas, não.

  • Nos Estados Unidos, metade de toda a energia usada na agricultura é
    gasta apenas na criação de gado.

  • A criação de animais é responsável por 18% e 25% das emissões mundiais de dióxido de carbono e metano, respectivamente. Esses gases são os principais causadores do aquecimento global.

  • É possível alimentar 40 pessoas com os cereais normalmente usados para gerar apenas 225 g de carne bovina.

    Mais informações em http://svb.org.br/vegetarianismo/downloads/livros/index.php.

    Só para esclarecer: não, não sou vegetariana. Mas acho que é perfeitamente possível reduzir muito o consumo de carne vermelha. Para mim, essa combinação de arroz, feijão e bife é, no mínimo, falta de imaginação!

    Nota número 2 – sobre felinos carentes

    Minha amiga Bia Levischi tem um blog sobre adoção de gatos abandonados à própria sorte. Quem se interessar, acesse http://gatoca.blogspot.com.

    Texto – sobre o mundo corporativo

    Termino este longo post reproduzindo uma fábula interessante sobre o detestável mundo corporativo. Tão realista, mas tão realista que merece ser lida e relida.

    Todos os dias, uma formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro
    no trabalho.

    A formiga era produtiva e feliz.

    O gerente marimbondo estranhou a formiga trabalhar sem supervisão.

    Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse
    supervisionada.

    E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita
    experiência, como supervisora.

    A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de
    entrada e saída da formiga.

    Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os
    relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e
    controlar as ligações telefônicas.

    O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também
    gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em
    reuniões.

    A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com
    impressora colorida.

    Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela
    movimentação de papéis e reuniões!

    O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor para
    a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a
    uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma
    cadeira especial.

    A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma
    assistente (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a
    preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento
    para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e
    cada dia se tornava mais chateada.

    A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo, que era preciso fazer
    um estudo de clima.

    Mas, o marimbondo, ao rever as cifras, se deu conta de que a unidade na
    qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja,
    uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um
    diagnóstico da situação.

    A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso
    relatório, com vários volumes que concluía : Há muita gente nestaempresa!!

    E adivinha quem o marimbondo mandou demitir?

    A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida.

  • quarta-feira, 7 de novembro de 2007

    Dias felizes

    Quase um mês depois, resolvi dar as caras aqui no blog. As últimas semanas foram lotadas e bem felizes. Dias de famílias reunidas, beijos calorosos e muito amor. Dias de expectativa, comidinhas gostosas e cheiro de novidade. Era como o último capítulo da novela das oito: pessoas queridas reunidas, grandes surpresas, cenas memoráveis e muitas lágrimas.

    Para completar, estivemos no Chile na semana passada. Na volta, ao conversar com o Mario, um grande amigo chileno que conhecemos no Canadá, eu disse: estou apaixonada pelo seu país! Ele riu. No fundo, ele deve saber que isto seria inevitável. O país dele é realmente incrível!

    Foram poucos dias entre Santiago, Puerto Montt, Puerto Varas, Chiloe, Frutillar, Petrohue e o vulcão Osorno. Serviu para abrir o nosso apetite e lembrar que, sim, eu e o Martim somos feitos de movimento.

    Nada como sair por uns dias do massacrante cotidiano paulistano e relembrar dos nossos sonhos! Estamos em ritmo de ano novo e ainda faltam 54 dias para a virada para 2008. Refazendo planos, mudando padrões e pisando fundo. Depois de grandes eventos, parece que a vida flui melhor.